11 de ago de 2010

Retrato de uma manhã

Sono muito sono...
Largos passos até o ponto, olhar embaçado, a sensação térmica era de uns 15 graus. Ônibus lotado com pessoas mal-humoradas. Depois de quatro pontos o sufoco era o fim, ou parte dele.

O destino agora era a bela estação as margens do Rio Pinheiros.
Sono muito sono...

Após uma rápida espera de 7 minutos chega o bem articulado com uma quantidade significativa de trabalhadores.
Sem fone, com o mp4 descarregado, começo a escrever palavras na mente. Tento encontrar uma dinâmica para passar o tempo entre as oito estações seguintes.

Escrevendo em pensamentos, lembrando do passado e tentando me perder no presente, aventuro-me em um mundo estranho, onde as cores são em preto e branco e só mudam os tons.


De longe avisto um banco.
Nele não tinha ninguém, apenas lembranças de um dia inoportuno...


Sentei, fiquei e fotografei.

Lembrei do momento de negação e inquietude desperto em mim. Tentei mudar meus pensamentos, curar meus sentimentos, mas era a lembrança estática, muda e melodiosa que não queria ir embora.
Os ponteiros já marcavam 9h45m era momento de partir...

Voltei à realidade. Era a rotina batendo na porta.

Sobe elevador, oitavo andar, cara de sono e um sonoro - bom dia!
Aperto botão e entro no e-mail...
O computador desliga.
Aperto botão novamente, não envio relatório de erros e em mais uma tentativa abro o e-mail.
O início de um novo dia.

Mari Bernun


8 de ago de 2010

O A S U L I

Ontem vi sonhos inacabados
Palavras cruzadas
Pessoas desesperadas
Não vi a alegria como de costume
Nem o pão partilhado entre amigos
Algo estava na contramão
Era mais um devaneio acordado
Daquele que descansa
De um pesadelo abstrato


Mari Bernun